quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Quando o "ele" virou "eu" e "eu" virei o outro

Aconteceu novamente. Mudaram as pessoas, a situação e os locais, mas por algum motivo, as necessidades de uma pessoa não pode ser suprimidas por mim e tudo o que eu já passei volta a se repetir. Talvez eu realmente seja o fiel capitão que afunda juntamente com o barco em um trágico naufrágio, como um ato de honra e esperança que sua vida nos últimos tempos: o barco (ou no meu caso, o meu relacionamento) possa ser salva. Dessa forma me afundo cada vez mais e mais em minhas decepções baseadas nas expectativas que eu tive nos últimos anos. Continuo com a esperança de que um dia tudo isso volte a ser como era antes, mas a cada momento que deixo passar pela insegurança, o "meu barco" está mais próximo do fundo e eu ainda não o abandonei. De alguma forma ainda não aprendi a abandonar o barco, me libertar de alguns passados e deixar ele por sí só afundar sozinho, salvando minha vida, quem sou...

Creio que não tenha sido por falta de amor. Aliás, creio que tenha sido o oposto: Excesso de amor, carinho e atenção. Tudo isso feito de forma errada, feito de uma maneira tão cuidadosa e totalmente entregue, que o fato de mimar a pessoa por um bom tempo, fazem com que os detalhes não faça mais importância alguma. Foram dias e dias de ligações, conversas, encontros, beijos, festas, juras e caricias que ao fim de tudo não somou sequer um pouco a mais contra a vontade e a influência de outras pessoas do convívio social dela, pelo motivo do comum não ter importância.

Uns dizem que é o que todo mundo quer é "Carinho, Amor, Compreensão". Outros dizem que se deve ter amor próprio e não se entregar completamente, ou seja, "O que vem fácil, irá fácil também". Eu tenho uma terceira opinião: "Nada, exatamente nada do você faz agora repetidas vezes, terá alguma importância, quando algo tem a minima possibilidade de chamar a atenção de outra pessoa". Nós temos essa necessidade, creio que não somos felizes se não mostrarmos para os outros que seguimos a nossa vida, somos "fortes" (orgulhosos) e conseguimos conquistar aquilo que nós queríamos... por enquanto. Precisamos da aprovação de outras pessoas e desse modo continuamos num ciclo vicioso: 
  1. A necessidade de provar
  2. O ato de provar
  3. A falta de necessidade de provar

Quando chegamos ao fim desse ciclo, queremos provar ou reafirmar novamente a nossa felicidade. E dessa forma seguimos a vida, baseada nas nossas necessidades de nos mantermos vivos e de provar para as outras pessoas que somos felizes.

(In)Felizmente tirei algumas conclusões sobre tudo o que acontece comigo. Já não tenho a mesma idade de antes e também minhas palavras não mais as mesmas, porém, eu ainda continuo o mesmo. Os mesmos problemas que eu tive em outros relacionamentos apareceram atualmente. Sinto as mesmas coisas, creio nas mesmas verdades, tenho as mesmas vontades. Sou a mesma pessoa em um corpo mais adulto, que ainda não quer aceitar o fim, que não quer aceitar que existe outra pessoa ouvindo as mesmas juras que ouvi, as mesmas caricias, os mesmos beijos e os mesmos toques que um dia foram meus...

Já há outro em meu lugar, agora ele sou eu e eu sou o outro. Talvez seja mais bonito, talvez mais sociável e que tenha outras histórias para contar e um pouco mais apresentável. Mas essa era a minha vida, os meus costumes, as minhas rotinas, os meus problemas e as minhas soluções. Sei que eu poderia dar um jeito. Já arrumei tantas soluções para coisas muito mais complicadas que o enjoo proveniente da rotina que eu sou imune.
Hoje eu estou mais certo de que impaciência e a necessidade são um mal que atinge a todos nós. E como colaterais, a angustia de uma perda, o sentimento da substituição e vazio deixado por essas pessoas estão quase diariamente próximos a mim.

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